A parestesia após a extração do siso é uma das complicações que mais geram preocupação nos pacientes. Embora seja considerada incomum, ela pode causar desconforto e alterar temporariamente a sensibilidade da boca, língua, lábios e região do rosto.
Por isso, entender as causas, os sintomas e as formas de tratamento é fundamental para agir rapidamente e aumentar as chances de recuperação completa.
Neste artigo, você vai entender o que é a parestesia no 3º molar, quais sinais merecem atenção e como a odontologia moderna ajuda a prevenir e tratar essa condição.
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O que é parestesia no 3º molar?
A parestesia é uma alteração de sensibilidade causada por irritação, compressão ou lesão de um nervo. Na odontologia, ela está frequentemente relacionada à extração dos terceiros molares, conhecidos popularmente como dentes do siso.
Essa condição pode provocar:
- Dormência;
- Formigamento;
- Sensação de choque;
- Perda parcial da sensibilidade;
- Alteração na percepção de temperatura e toque.
Na maioria dos casos, a parestesia é temporária. No entanto, quando não há acompanhamento adequado, ela pode durar meses ou até se tornar permanente.
Por que a parestesia pode acontecer na remoção do siso?
Os dentes do siso inferiores ficam muito próximos de estruturas nervosas importantes, principalmente:
- Nervo alveolar inferior;
- Nervo lingual.
Dependendo da posição do dente, da anatomia do paciente e da complexidade da cirurgia, esses nervos podem sofrer compressão ou trauma durante o procedimento.
Causas e fatores de risco
A parestesia não acontece por acaso. Existe uma série de fatores anatômicos e técnicos que aumentam a probabilidade de lesão nervosa durante a extração do siso.
Fatores anatômicos
- Proximidade das raízes ao canal mandibular: quando as raízes envolvem ou tocam o nervo alveolar inferior, o risco aumenta consideravelmente.
- Posição do dente: sisos horizontalizados, verticalizados invertidos ou profundamente impactados exigem manobras cirúrgicas mais agressivas.
- Curvatura e dilaceração radicular: raízes muito curvas dificultam a remoção sem pressão sobre estruturas adjacentes.
- Variações no trajeto do nervo lingual: em alguns pacientes, o nervo percorre um trajeto mais superficial, ficando mais vulnerável.
Fatores técnicos e operatórios
- Uso excessivo de força ou alavancas inadequadas
- Osteotomia (remoção de osso) extensa próxima ao canal
- Uso de anestesia local com vasoconstritor em concentração elevada
- Compressão por edema pós-operatório intenso
- Hemorragia intracanalicular que pressiona o nervo
Sintomas e como identificar
Os sintomas da parestesia variam conforme o nervo afetado e a extensão da lesão. Em geral, o paciente percebe as alterações sensoriais logo após o efeito da anestesia passar.
Os sinais mais comuns incluem:
- Dormência no lábio inferior;
- Formigamento na língua;
- Sensação de “agulhadas”;
- Dificuldade para perceber temperatura;
- Alteração da fala;
- Sensação estranha ao mastigar;
- Redução da sensibilidade na gengiva ou no queixo.
A intensidade varia de acordo com o grau de comprometimento do nervo.
Diagnóstico
O diagnóstico da parestesia do terceiro molar é essencialmente clínico, mas exames complementares são fundamentais para mapear a extensão da lesão e planejar o tratamento.
Avaliação clínica
- Teste de sensibilidade com algodão e sonda: verifica a presença ou ausência de tato superficial nas regiões suspeitas.
- Teste térmico (frio/quente): avalia a integridade das fibras nervosas de temperatura.
- Discriminação de dois pontos: mede a capacidade do paciente de distinguir dois estímulos próximos.
- Mapeamento sensorial: o paciente delimita a área afetada com marcações na pele.
Exames de imagem e eletrofisiológicos
- Tomografia Computadorizada de Feixe Cônico (CBCT): avalia a relação pré e pós-operatória das raízes com o canal mandibular.
- Ressonância Magnética (RM): nos casos graves, permite visualizar o trajeto e estado do nervo.
- Eletroneuromiografia (ENMG): avalia a condução nervosa e pode indicar o grau de lesão em casos duvidosos.
Tratamento e recuperação
Não existe um protocolo único para todas as parestesias. O tratamento depende do tipo de nervo afetado, da gravidade da lesão e do tempo decorrido desde a cirurgia.
Abordagens clínicas (não cirúrgicas)
- Corticosteroides: uso precoce (até 72h após o trauma) pode reduzir o edema que comprime o nervo.
- Vitaminas do complexo B (B1, B6, B12): neurotrofinas que auxiliam na regeneração axonal.
- Laserterapia de baixa intensidade (LLLT): evidências crescentes para estimulação da regeneração nervosa periférica.
- Fisioterapia e TENS: indicadas para manutenção da função muscular e estimulação sensorial.
- Acupuntura: estudos preliminares sugerem benefício coadjuvante em casos de parestesia lingual.
Abordagem cirúrgica
Reservada para casos de parestesia persistente acima de 3–6 meses sem melhora, ou quando há compressão mecânica confirmada por imagem:
- Neurolise: liberação cirúrgica do nervo comprimido por hematoma ou tecido fibroso.
- Neurorrafi: sutura microcirúrgica para reconexão de segmentos nervosos rompidos.
- Enxerto nervoso: nos casos de perda de segmento, utiliza-se nervo autógeno (ex.: nervo sural) para reconstrução.
Prognóstico Geral é Favorável
A grande maioria dos pacientes (85–90%) recupera a sensibilidade completamente sem intervenção cirúrgica. O acompanhamento regular com o cirurgião é fundamental para monitorar a evolução.
Prevenção
Embora não seja possível eliminar completamente o risco de parestesia, uma série de medidas podem reduzi-lo de forma significativa.
- Avaliação radiográfica adequada: CBCT pré-operatória em casos de proximidade radicular ao canal mandibular.
- Planejamento cirúrgico criterioso: escolha da técnica mais conservadora possível.
- Coronectomia intencional: opção válida quando as raízes estão intimamente associadas ao nervo — remove apenas a coroa, preservando as raízes.
- Cirurgião experiente: a taxa de parestesia é menor com profissionais com maior volume de casos complexos.
- Consentimento informado: o paciente deve ser informado dos riscos antes da cirurgia.
Quando procurar ajuda?
Você deve procurar atendimento odontológico imediatamente caso apresente:
- Dormência persistente;
- Formigamento prolongado;
- Alteração na língua ou nos lábios;
- Sensibilidade reduzida após cirurgia do siso;
- Sensação de choque ou queimação.
Quanto mais cedo a avaliação for realizada, melhor tende a ser o prognóstico.
Conclusão
A parestesia no 3º molar é uma condição que exige atenção, mas que pode ser prevenida e tratada com acompanhamento adequado.
O planejamento correto da cirurgia, associado a exames modernos e técnicas seguras, reduz significativamente os riscos de complicações.
Além disso, ao perceber qualquer alteração de sensibilidade após a extração do siso, buscar avaliação rapidamente faz toda a diferença no processo de recuperação.
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