O Agosto Dourado reforça a importância da amamentação para a saúde e o desenvolvimento infantil. A campanha utiliza a cor dourada porque o leite materno representa uma fonte de nutrição de alta qualidade para o bebê.
Além de oferecer nutrientes e ajudar na proteção contra algumas doenças, a amamentação também favorece o desenvolvimento da boca e da face. Isso acontece porque, durante a mamada, o bebê movimenta os lábios, a língua, as bochechas e a mandíbula de maneira coordenada.
Dessa forma, a sucção no seio funciona como um exercício natural para os músculos da face. Esses músculos participarão, posteriormente, de funções importantes, como respirar, mastigar, engolir e falar.
A amamentação também é um exercício para o bebê
Para retirar o leite do seio, o bebê precisa abrir bem a boca, posicionar a língua corretamente e movimentar a mandíbula para frente e para trás. Além disso, ele deve manter os lábios bem adaptados ao redor da mama.
Portanto, a mamada exige esforço e coordenação muscular. Esse trabalho fortalece os músculos da face e estimula o crescimento das estruturas da boca.
Segundo o Ministério da Saúde, o exercício que a criança realiza para retirar o leite da mama contribui para o desenvolvimento adequado da cavidade oral. Ministério da Saúde – Aleitamento materno e alimentação complementar
Como a amamentação auxilia no desenvolvimento da arcada dentária?
Nos primeiros meses de vida, os ossos da face e as estruturas da boca ainda estão em formação. Por isso, os estímulos recebidos nessa fase podem influenciar o crescimento orofacial.
Durante a amamentação, o bebê realiza movimentos que ajudam no desenvolvimento da mandíbula, da língua e da musculatura facial. Como resultado, essa atividade pode favorecer a formação equilibrada das arcadas dentárias.
1. Estimula o crescimento da mandíbula
Ao nascer, o bebê geralmente apresenta a mandíbula posicionada mais para trás em relação à maxila. Entretanto, os movimentos realizados durante a mamada estimulam o avanço e o crescimento mandibular.
Consequentemente, esse exercício favorece uma relação mais equilibrada entre os ossos da face. Além disso, ele ajuda a preparar o espaço necessário para o desenvolvimento das arcadas e para o nascimento dos dentes.
2. Fortalece os músculos da face
A sucção no peito envolve vários grupos musculares. Durante a mamada, o bebê trabalha os lábios, as bochechas, a língua e a mandíbula.
Esse fortalecimento muscular contribui para o desenvolvimento de diferentes funções, como:
- Respiração;
- Mastigação;
- Deglutição;
- Movimentação da língua;
- Articulação dos sons;
- Desenvolvimento da fala.
Assim, a amamentação não oferece apenas alimento. Ela também prepara a musculatura do bebê para outras etapas do crescimento.
3. Favorece o posicionamento adequado da língua
A língua participa ativamente da retirada do leite. Para isso, ela realiza movimentos coordenados e ocupa uma posição funcional dentro da boca.
Esse posicionamento é importante porque a língua influencia o formato das arcadas dentárias. Além disso, ela participa diretamente da mastigação, da deglutição e da fala.
Portanto, quando a língua trabalha corretamente durante a amamentação, ela contribui para o equilíbrio das estruturas orais.
4. Incentiva a respiração nasal
Durante uma pega adequada, o bebê mantém os lábios vedados ao redor da mama e respira principalmente pelo nariz. Por esse motivo, a amamentação pode estimular um padrão respiratório nasal.
A respiração pelo nariz, por sua vez, favorece o crescimento equilibrado da face e das vias aéreas. Em contrapartida, a respiração bucal frequente pode alterar a postura da língua, a musculatura e o desenvolvimento facial.
No entanto, diferentes fatores podem causar a respiração bucal, como alergias, aumento das amígdalas, adenoides e obstruções nasais. Por isso, os responsáveis devem buscar avaliação profissional quando perceberem que a criança mantém a boca aberta com frequência.
5. Prepara o bebê para mastigar e falar
Os músculos que o bebê utiliza durante a amamentação também participarão da mastigação, da deglutição e da fala.
Consequentemente, a sucção no seio contribui para o desenvolvimento das funções orais. Mais tarde, essas habilidades ajudarão a criança durante a introdução alimentar e o aprendizado da fala.
Amamentar previne problemas ortodônticos?
A amamentação pode favorecer o desenvolvimento equilibrado das estruturas orofaciais, mas não é possível afirmar que ela evitará todos os problemas de mordida ou eliminará a necessidade de tratamento ortodôntico no futuro.
A formação da arcada dentária também é influenciada por fatores como:
- Hereditariedade;
- Padrão de crescimento facial;
- Respiração bucal;
- Perda precoce de dentes de leite;
- Alterações no posicionamento da língua;
- Uso prolongado de chupeta;
- Hábito de chupar o dedo;
- Traumas e outras condições de saúde.
Portanto, a amamentação deve ser entendida como um importante fator de proteção e estímulo ao desenvolvimento, mas não como uma garantia contra alterações ortodônticas.
Amamentação, chupeta e mamadeira: existe diferença?
A sucção no seio materno e a sucção realizada em bicos artificiais não acontecem exatamente da mesma maneira.
Na amamentação, o bebê precisa abrir mais a boca, movimentar a mandíbula e trabalhar ativamente a língua e os músculos da face. A mamadeira geralmente exige um padrão diferente de sucção, que pode variar de acordo com o formato do bico, o tamanho do furo e o fluxo do leite.
Já a chupeta proporciona uma sucção não nutritiva. Quando utilizada com muita frequência ou por tempo prolongado, pode exercer forças contínuas sobre os dentes e as arcadas, aumentando o risco de alterações como:
- Mordida aberta anterior;
- Mordida cruzada posterior;
- Inclinação inadequada dos dentes;
- Alterações no posicionamento da língua;
- Mudanças no padrão de crescimento orofacial.
A Academia Americana de Odontopediatria alerta que o uso de chupeta além dos 18 meses pode influenciar o desenvolvimento orofacial e recomenda acompanhamento profissional para orientar a interrupção dos hábitos de sucção não nutritiva.
Quando a amamentação não for possível, a família não deve se sentir culpada. Cada mãe e cada bebê possuem necessidades e condições diferentes. A escolha do método de alimentação deve ser realizada com orientação do pediatra e de outros profissionais capacitados.
Até quando o bebê deve ser amamentado?
A Organização Mundial da Saúde recomenda o aleitamento materno exclusivo durante os primeiros seis meses de vida. Nesse período, salvo indicação profissional específica, o bebê não precisa receber água, chás ou outros alimentos.
A partir dos seis meses, deve ser iniciada a alimentação complementar adequada e segura, mantendo-se a amamentação até os dois anos de idade ou mais.
A duração da amamentação é uma decisão individual e deve considerar a saúde, a disponibilidade, as necessidades e o bem-estar da mãe e do bebê.
A amamentação pode causar cárie?
A cárie é uma doença multifatorial. Seu desenvolvimento depende da presença de dentes, do acúmulo de biofilme, da frequência de exposição a carboidratos fermentáveis, da higiene bucal e da susceptibilidade individual da criança.
A amamentação não deve ser interrompida apenas por medo de cárie. Entretanto, após o nascimento dos primeiros dentes, é fundamental iniciar a escovação e receber orientação individualizada, principalmente quando as mamadas noturnas são muito frequentes.
Não se deve adicionar açúcar, mel ou outros produtos açucarados ao leite ou à alimentação do bebê. Além de aumentar o risco de cárie, o mel não deve ser oferecido a crianças menores de um ano devido ao risco de botulismo infantil.
Quando começar a higiene bucal do bebê?
Antes do nascimento dos dentes, não é necessário esfregar a gengiva do bebê rotineiramente com gaze ou fralda. A boca possui mecanismos naturais de proteção, e a manipulação excessiva pode causar desconforto.
Quando o primeiro dente nascer, os responsáveis devem iniciar a escovação duas vezes ao dia com:
- Escova infantil de cabeça pequena e cerdas macias;
- Creme dental fluoretado na concentração recomendada pelo odontopediatra;
- Quantidade equivalente a um pequeno grão de arroz para crianças que ainda não sabem cuspir;
- Supervisão de um adulto durante toda a escovação.
O cuidado noturno merece atenção especial, pois a produção de saliva diminui durante o sono.
Quando levar o bebê ao odontopediatra?
A primeira consulta odontológica deve acontecer preferencialmente com o nascimento do primeiro dente e, no máximo, até o primeiro aniversário da criança.
Essa consulta não serve apenas para verificar a presença de cárie. O odontopediatra também pode:
- Avaliar o desenvolvimento da boca e da face;
- Orientar sobre a higiene dos primeiros dentes;
- Verificar o freio da língua e a mobilidade lingual;
- Observar possíveis dificuldades de sucção;
- Orientar sobre chupeta, mamadeira e sucção do dedo;
- Acompanhar a sequência de nascimento dos dentes;
- Identificar alterações de mordida e respiração;
- Definir medidas preventivas conforme o risco individual.
A avaliação precoce permite acompanhar o crescimento da criança e orientar a família antes que determinados hábitos provoquem alterações mais difíceis de corrigir.
Dificuldades para amamentar: quando buscar ajuda?
Dor persistente durante as mamadas, fissuras, dificuldade de pega, estalos, engasgos frequentes, baixo ganho de peso ou mamadas excessivamente longas merecem avaliação.
Esses sinais não significam necessariamente que o bebê apresenta “língua presa”. As dificuldades podem estar relacionadas à pega, à posição durante a mamada, à produção ou transferência de leite e a diferentes condições maternas ou infantis.
A avaliação deve ser individualizada e, quando necessário, realizada por uma equipe multiprofissional, envolvendo pediatra, consultora de amamentação, fonoaudiólogo e odontopediatra. Procedimentos no freio da língua não devem ser indicados automaticamente sem uma avaliação funcional completa.
Perguntas frequentes
A amamentação garante que a criança não precisará usar aparelho?
Não. Ela favorece o desenvolvimento das estruturas orofaciais, mas fatores genéticos, respiratórios, funcionais e hábitos adquiridos também influenciam a formação da mordida.
A chupeta ortodôntica não prejudica os dentes?
Mesmo os modelos chamados “ortodônticos” podem provocar alterações quando utilizados com frequência e por tempo prolongado. O risco depende da duração, intensidade e frequência do hábito.
O bebê pode consultar o dentista mesmo sem ter dentes?
Sim. A consulta pode ser realizada para orientar os responsáveis sobre amamentação, higiene, nascimento dos dentes, uso de chupeta e prevenção de problemas bucais.
Preciso limpar a boca do bebê depois de cada mamada?
Antes do nascimento dos dentes, essa limpeza rotineira não é necessária. Após o primeiro dente, deve-se iniciar a escovação com escova infantil e creme dental fluoretado, conforme orientação profissional.
Agosto Dourado: apoiar também é cuidar
Falar sobre amamentação significa reconhecer seus benefícios. Porém, também significa acolher as diferentes experiências maternas.
A mãe precisa de informação segura, orientação profissional e uma rede de apoio. Afinal, dificuldades físicas, emocionais, profissionais ou de saúde podem interferir nesse processo.
Quando possível e desejada, a amamentação oferece benefícios que vão além da nutrição. Ela fortalece o vínculo entre mãe e bebê, ajuda na proteção da saúde e contribui para o desenvolvimento dos músculos, dos ossos e das funções da boca.
Ao mesmo tempo, o acompanhamento odontopediátrico complementa esses cuidados. Com avaliações preventivas, o profissional acompanha o crescimento da arcada dentária, o nascimento dos dentes e os hábitos orais da criança.
Seu bebê já passou pela primeira avaliação odontológica?
Agende uma consulta com nossa equipe de odontopediatria. Estamos preparados para orientar sua família e acompanhar cada etapa do desenvolvimento do sorriso da criança com cuidado, respeito e acolhimento.
Este conteúdo possui caráter informativo e não substitui uma avaliação individual com profissionais de saúde.





